Na minha imaginação...
Ela está deitada de barriga para baixo, à largura da cama, apoiada sobre os cotovelos, com os dedos das mãos entrelaçados. À excepção das cuecas, nua. A mexer as pernas para cima e para baixo. Com os seus perfeitos pés que calçam o número 36. A ver televisão.
Quando se apercebe da minha presença, olha por cima do ombro esquerdo, dá um pequeno sorriso sincero, abana o cabelo, voltar a olhar para o ecrã e diz: "Olá, príncipe do meu coração."
Sou dela. Não tenho forças para lhe resistir. Sinto-me fraco perante as palavras dela e ela sabe-o.
"Anda!", diz com o ar mais natural do mundo, ao mesmo tempo que não consegue disfarçar um tom provocatório. Deito-me ao lado dela. Ela vê a televisão, eu vejo-a a ela. Basta a contemplação para saber que encontrei um sentido para a minha vida.
Passam-se 15 segundos. Parecem-me 30 minutos. O programa vai para intervalo. Era a RTP. Ela volta a sorrir, toca-me, rebola comigo ao longo da cama. Não consigo falar. A cara dela irradia felicidade. De repente, pára, olha-me nos olhos, esboça o sorriso mais bonito que já vi, debruça-se e encosta os seus lábios aos meus.
Finalmente, sei o que é ser feliz...