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Monstro Invisível

Já que não posso ser belo, quero continuar invisível...

Monstro Invisível

Já que não posso ser belo, quero continuar invisível...

O conceito de clímax

Junho 01, 2013

Monstro Invisivel

Preto. Está tudo preto… Sinto os olhos pesados e as minhas pálpebras parecem ter sido coladas. Vou recuperando a consciência à medida que pestanejo freneticamente e que a visão volta a ser um sentido que posso usar. Não sei onde estou. Vejo um quarto que me é desconhecido e reparo que estou amarrado à cama, embora tal me pareça absolutamente desnecessário, pois não consigo mexer os braços ou as pernas. Atordoado, volto a fechar os olhos, convencido de que estou a sonhar.

A porta do quarto abre-se e vejo-a entrar. “Hello, babe!”, diz. Sei que é ela, mas parece uma mulher diferente – a rapariga frágil de jeans e ténis, com traços juvenis, transformada numa mulher confiante, com óculos escuros e vestida de cabedal preto dos pés ao pescoço. Depois de ter acidentalmente chocado contra ela um dia, vi-a diariamente no meu caminho durante dois meses, até ter mudado de emprego e perder-lhe o rasto por completo. “Com que então o meu rapagão estava convencido de que poderia simplesmente desaparecer? Desapontas-me…”, murmura lenta e suavemente.

As milhentas perguntas que percorrem o meu cérebro fazem-me semicerrar os olhos, mas rapidamente os abro o mais que consigo ao vê-la acender um pequeno maçarico. Gaguejo e pergunto: “O que é isso?!”, com o olhar fixo na chama azul e na sua ponta laranja. “Então, garanhão, o que é isso pergunto eu? Ambos sabemos o que vai acontecer agora”, diz a sorrir. Aproxima-se de mim, as veias do meu pescoço incham de tal forma que parecem querer fugir do meu corpo e vejo-a espetar-me uma seringa no braço. A consciência volta a abandonar-me… Branco. Tudo fica branco.

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